Mensagens Psicografadas

Fundação Espírita Dr. Bezerra de Menezes

 

Sim! Sou espírita...

 

Me lembro muito bem, daquele tarde, chuvosa em Petrópolis, um sábado, o que me deixava ainda mais frustrado. Final de semana, eu não podia ir para casa, rever a família e a namorada. Já fazia quase um mês que eu não ia a Bananal – SP, minha cidade, e agora um final de semana, todos os meus amigos, a maioria do Rio de Janeiro tinham ido para casa, e lá estava eu, sozinho naquele sábado chuvoso e frio em Petrópolis saindo da faculdade, pois tinha também aulas aos sábados, desanimado e sem perspectivas para o final de semana.

Voltando para a minha republica, andando distraído em meus pensamentos, notei quase sem querer uma grande faixa numa livraria, anunciando promoção, não me lembro bem o preço, pois com essas mudanças de moeda pelas quais passamos o correto valor me escapa da memória, só me lembro que era barato. Nos dias de hoje talvez fosse algo em torno de R$4, 00. Entrei na livraria e quis saber que livro era aquele que estava em promoção, pois talvez fosse ele o remédio para o meu tédio naquele fim de semana. Só então notei que aquela não era uma livraria comum, tratava-se de uma livraria espírita, e os tais livros da promoção eram “uns livros que eles chamavam de obras básicas”.

Não era bem isso que eu tinha em mente , quando ali entrei , buscava romance, aventura, algo que me distraísse naquele fim de semana. Agora estava eu, numa livraria espírita, cercado de livros que segundo me constava repletos de heresias, e coisas do diabo. Essa era a minha formação religiosa, se bem que há esse tempo eu havia me afastado. Não ajudava mais na celebração da missa e a vontade de ser padre ha muito já havia ficado para traz. Certos questionamentos sem respostas convincentes haviam lentamente me afastado da igreja, na qual durante quase doze anos eu havia sido coroinha. Cabe aqui um esclarecimento. Não estou de forma alguma condenando a igreja, pois foi ela que despertou em mim a religiosidade que até nos dias de hoje mantenho em meu coração. E a ela eu agradeço em especial à figura do Monsenhor Cid França Santos, que hoje se encontra na espiritualidade, que fortaleceu em mim a fé em Cristo com seu proceder reto e desprendido, tornando-se de fato um “pai”, na acepção da palavra para toda uma cidade, que ainda hoje sente a saudade de seu guia. Me dá muito prazer falar e recordar de tão querido amigo e muito me comove relembrar a sua presença em minha vida, ainda mais sabendo que se antes ele ajudava quando estava por perto, hoje sou feliz, pois agora ele sempre está por perto para nos ajudar.

Voltando agora à livraria lá estava eu, quando ouvi a pergunta: - Você é espírita? Veio a minha cabeça, espíritas estão condenados ao fogo do inferno, se bem que o monsenhor Cid jamais me disse isso, mas era o pensamento que me passaram. E eu respondi: - Não, eu não sou espírita! (e bem pensei: Deus me livre!). 

Agora o fato era o seguinte! Eu tinha uma pechincha. Mas evangelho segundo o espiritismo, nem pensar. O livro dos médiuns, jamais! Falar com “com mortos?”, tô fora. O livro dos espíritos também não. O céu e o inferno talvez fosse assustador. Sobrou a gênese. Esse era um dos questionamentos íntimos que eu possuía e sobre os quais também desenvolvi a minha própria tese de como compatibilizar ciência e religião, qual seria a visão dos espíritas sobre a criação? É barato mesmo! Não tenho nada para fazer hoje e amanhã. Quer saber de uma coisa? Vamos ver no que dá. Após esse raciocínio, comprei o livro e sai rápido dali, pois já pensou se alguém conhecido me visse ali?

Qual não foi a minha surpresa quando comecei a ler o livro. Fiquei hipnotizado, parecia que eu já tinha noção daqueles ensinamentos. De alguma forma, se bem que de maneira bem simplista minha tese estava contida naquela obra. Lia tudo com muito entusiasmo, na semana seguinte voltei à livraria e comprei os outros livros. E nos meses subsequentes eu os “li”, somente li, e me fascinei, pois encontrei toda a lei de amor do Cristo, reencontrei os ensinamentos do Cristo em toda a sua pureza, sem artefatos ou aparatos que tentam demonstrar aos olhos dos homens uma grandeza, que deve ser sentida pelo coração e que na sua simplicidade nos faz entender e nos comove. Não encontrei nada de abominável, nada de herege, encontrei sim um chamado a renovação que nos levará ao encontro de Jesus.
Meses depois, lá estava eu. Espalhando aos quatro ventos: - Eu sou espírita!
Entendi que agora deveria “estudar” as obras básicas e me dediquei aos estudos, que devem ser uma constante em nossa vida, passei a ler também outras obras, e chegou até mim o livro de André Luiz pela psicografia de Chico Xavier, Conduta Espírita.

Um balde de água fria caiu sobre mim. Desiludido descobri, eu não era espírita. Como proclamar ser espírita, se minha conduta não espelha essa afirmativa? Como posso ser espírita se quando a dor vem até mim, eu não a reconheço como instrumento Divino a promover a minha melhora? Como se dizer espírita mantendo ainda dentro de mim tantas imperfeições? Como ser espírita se a única coisa que havia mudado em minha vida era o discurso, sem que este se transformasse em atos no meu dia a dia? Não seria uma ofensa à doutrina espírita dizer-me espírita sem ter deixado para traz aquele homem velho e arraigado aos erros do passado? Mantendo dentro de si ainda tantas imperfeições? Desanimado pensei: Nessa vida não poderei me dizer espírita!
Com o tempo veio a maturidade e o estudo da afirmativa de Kardec: Conhece-se o verdadeiro espírita pelos sinceros esforços que este empreende para melhorar-se. 

Por isso amigos, se vocês descobriram esta doutrina consoladora, que nos leva à pureza dos ensinamentos do Cristo sem máscaras, dogmas nem interpretações de acordo com conveniências. O espiritismo que relembra os ensinos de Cristo e nos esclarece o que ao seu tempo ficou velado, trazendo-nos a verdade que liberta que nos conclama à vivência da caridade e do amor, alegrem-se. Encham-se de esperança e confiança e vão a luta. Batalhe consigo mesmo, vença-se fazendo nascer um mundo melhor dentro de ti que ira se refletir ao seu redor.

Lute para que você seja melhor a cada dia. E com muita alegria poderá dizer em alto e bom som quando lhe perguntarem: - Você é espírita? 

- Sim sou espírita!

Agora 20 anos após ter entrado naquela livraria buscando romance e aventura, compreendo que encontrei a maior história de amor que o mundo já viu, e começou a minha maior aventura, que é desbravar o meu interior, e aos exemplos dos melhores heróis, vencer todos os inimigos que trago dentro de mim, o orgulho, o egoísmo e a vaidade. É por isso que agora eu digo sou espírita! Pois reconheço minhas imperfeições e entre erros e acertos tento ser melhor a cada dia.

 

Paulo Moraes
Pemm_eng@yahoo.com.br

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